Consultoria Empresarial

domingo, 23 de março de 2014

CORDIALIDADE DA ENTRADA E DA SAÍDA

A cordialidade da entrada versus a cordialidade da saída
 
Resolvi escrever esta matéria com o objetivo de refletir sobre o nosso comportamento comparando-se algumas situações de entrada e de saída.
A palavra cordialidade pode ser traduzida como respeito, cortesia, amabilidade, delicadeza.
Tudo começou quando passei a observar o tratamento que me era dado, enquanto cliente, nos momentos que eu chegava e nos momentos que eu saia dos estabelecimentos. Conforme passei a prestar mais atenção aos detalhes pude fazer uma análise mais profunda.
Normalmente chegamos em uma loja (“fast food” são os campeões) e os atendentes nos dizem bom dia, boa tarde, boa noite, muitas vezes com um sorriso no rosto. É comum, mesmo que de maneira artificial, sermos tratados com um sejam bem vindos, em que posso ajudá-lo, em caso de necessidade só me chamar, meu nome é Cordialidade de Entrada.
Feita a compra, vamos para o departamento de saída, ser atendido pelo Sr Cordialidade de Saída. Neste momento parece que estamos em outro mundo. Somos recebidos sem o sorriso (pode ser que não exista este treinamento), muitas vezes com um semblante de irritação e as palavras agora são outras: “VAI COMER OU VAI LEVAR?”; “CPF NA NOTA?”; “DÉBITO OU CRÉDITO?”; “DIGITA A SENHA!”; “TIRA O CARTÃO!”; “PRÓXIMO!”, entre outras que nos fazem pensar que estamos em duas culturas diferentes.
Aí nasceu a minha dúvida sobre este comportamento tão antagônico. Seria isso um problema de educação profissional? É um processo de deterioração dos princípios e valores morais da sociedade? Pode ser considerado um comportamento típico do ser humano que não observa o mandamento divino sobre o próximo? Toda reflexão tem a intenção de buscar hipóteses, portanto as respostas podem ser as mais variadas possíveis. Apenas para incitar a discussão, vejo que não se trata de um problema apenas comercial, ele está em todos os relacionamentos.
Já perceberam como é comum vermos a cordialidade da entrada e da saída serem distintas nas relações de emprego? Quando entrevistamos um candidato a uma vaga ele normalmente se apresenta como sendo a solução. Suas palavras são a esperança de qualquer Chefe de RH. “O senhor pode contar comigo!”; “Não tenho problemas de horários!”; “Posso exercer mais de uma função!”; “Sou prestativo, líder, bom companheiro!”. Mas na hora da saída encontramos outra pessoa ou pelo menos outro comportamento, ainda que este tempo seja muito curto. “EU EXIJO MEUS DIREITOS!”; “NÃO SOU PAGO PRA ISSO!”; “NÃO SOU ESCRAVO!”; “NÃO ESTOU AQUI PARA SER BABÁ DE NINGUÉM!”...e por aí vai.
Temos os casos de sociedades, onde as primeiras reuniões são de encher os olhos de qualquer pessoa. Apertos de mãos, abraços, comemorações e outros rituais sempre emocionantes. “Estamos juntos!”; “Não há motivo para falar em lucros agora!”; “Confio plenamente no meu sócio!”. Na saída tudo muda. “SÓ FALO COM ELE NA JUSTIÇA!”; “ABRI A EMPRESA PARA TER LUCROS JÁ!”; “ACEITO ISSO SÓ SE ELE ME DER UMA GARANTIA REAL!”.
Os relacionamentos amorosos não poderiam ficar fora desta reflexão, pois o começo e o fim são totalmente inversos. O Sr Cordialidade de Entrada é cativador, conquistador, irresistível. Suas palavras soam como uma melodia. “Te amo mais que tudo!”; “Com você moro até embaixo de uma ponte!”; “Não estou preocupado com bens materiais”; “O que importa é a sua felicidade!”; “Prometo ser fiel até a morte!”. Na saída nos deparamos com o Sr Cordialidade de Saída armado até os dentes. “NÃO TE AMO MAIS!”; “MEREÇO UMA CASA DIGNA!”; “NÃO ABRO MÃO DE UM CENTAVO DA MINHA PARTE!”; “PRECISO PENSAR EM MIM!”; “FIZ MESMO E NÃO ME ARREPENDO!”.
Poderia citar tantos outros relacionamentos, como quando um doente chega ao hospital, um cliente procura um advogado, um amigo procura companhia, etc.
A porta da cordialidade de entrada parece ser diferente da porta de saída, o que coloca em risco a manutenção da vida em sociedade. Se todos entrarem pela porta da cordialidade de entrada e saírem também por ela, seremos mais humanos, mais justos e muito mais cordiais.
Talvez seja por isso que Deus nos deixa uma única porta, a estreita, para que possamos nos lembrar do esforço exigido para entrar e não esquecer dos requisitos deste acesso.
Peço a Deus que a cada dia eu possa ser o mesmo na entrada e na saída, pois isto é o mínimo que Deus espera de nós.
Que Deus nos abençoe e nos dê sabedoria para evoluirmos em pensamentos e atitudes a cada dia.
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