Consultoria Empresarial

domingo, 5 de janeiro de 2020

EN_001.2020 - EUA X IRÃ - 3ª GUERRA MUNDIAL (PELO MENOS NOS NEGÓCIOS)

O ano de 2020 começou quente, tanto no clima, com as temperaturas batendo a casa dos 40 graus aqui no Brasil, como a tensão gerada pelo ataque dos Estados Unidos culminando na morte do número 2 do Irã, o General Qassem Soleimani. Bolsonaro chegou a citar os rumores de uma 3ª Guerra Mundial. Em parte concordo com ele, já que os rumores foram alertados por Jesus Cristo há mais de 2 mil anos. Por enquanto creio que sejam rumores mesmo, apesar da seriedade.

Se nas questões internacionais a 3ª Guerra Mundial ainda é uma possibilidade, entendo que na economia das empresas o impacto será real.

As notícias estão por todos os sites e jornais, analisadas por comentaristas de renome, o que certamente todos já estão cientes.

Mas como adotei por missão e compromisso junto às pessoas que me acompanham, farei uma análise direcionada ao mundo empresarial. O que de fato isso poderá implicar na gestão das empresas, especialmente relacionada com o Patrimônio Líquido.

Lembre-se que o objetivo de uma empresa, seja ela com fins lucrativos ou não, é sempre gerir o Patrimônio Líquido para que este dê o retorno esperado para o qual a entidade foi criada. Em breve tratarei melhor este tema.

Em minha última palestra, denominada "Brasil 2020, Desafios, Tendências e Oportunidades", fiz uma série de avaliações sobre possíveis cenários que poderiam impactar (positivamente ou não) a gestão das empresas, sempre do ponto de vista do Patrimônio Líquido.

Em uma dessas avaliações (lembrar que todos os cenários se conectam entre si), falei da questão do petróleo. A abordagem foi rápida, apenas para chamar a atenção de que este item era importante estar no radar.

O motivo pelo qual devemos estar vigilantes neste assunto é o fato de que ele tem uma influência quase que prioritária na composição dos custos do produto e na formação dos preços de venda, resultando em mais ou menos lucros.

Obviamente, por estarmos em um mundo totalmente globalizado, o cenário do outro lado do mundo repercute de forma imediata em nossas vidas. E como esta questão já estava sendo discutida por muitos analistas, tanto políticos como financeiros, me vi na obrigação de alertar o meu público com relação a esta possibilidade.

De fato, antes mesmo que eu esperasse aconteceu justamente o que anunciei, uma instabilidade global nos mercados, gerando guerras, crises, instabilidades, etc.

Não sabemos ainda (talvez nunca saberemos antecipadamente) as consequências reais em nossas empresas, mas é sempre bom ficarmos atentos e planejarmos no que for possível.

E qual foi o alerta na palestra de ordem prática? "Atenção na composição e formação dos preços de venda com base nos custos de combustíveis (e toda a cadeia) tendo como referência o passado."

Naquele momento a questão passou despercebida ao público, seja pela brevidade da exposição ou pela falta de conhecimento dos presentes. Mas é um tema que interliga uma série de situações da economia, da política e da sociedade como um todo. Aliás, quem ainda não se deu conta de que o mundo é um grande tabuleiro de xadrez, precisa se acostumar com isso. E não importa o seu papel aqui no planeta, de alguma forma você é impactado. 

Com a eleição do Presidente Norte Americano Donald Trump já era esperado uma tratativa dura com os demais países. Esta dureza foi anunciada por ele próprio em sua posse quando disse: "América First!" ou seja, a América Primeiro (ponto final).

Como era de se esperar, o ano de 2018 e 2019 foram recheadas de decisões que impactaram uma guerra declarada dos EUA contra uma grande parte do mundo. Eis algumas:

* Retirada do país no acordo de Paris para as mudanças climáticas
* Cancelamento do acordo para o fim das sanções contra o Irã (*)
* Construção do muro na divisa com o México
* Ameaças contra a Coreia do Norte
* Guerra comercial em escala mundial com a China
* Retirada do apoio aos curdos na Síria, colocando a região em um verdadeiro barril de pólvora
* Anúncio da saída da OTAN para 2020
* Outras

À exceção do último item, todos os outros já foram executados, precedendo a grandes conflitos mundiais e impactando elevação do dólar, crises financeiras, volatilidade das bolsas, etc. Faltava então uma ação militar, o que acabou de acontecer e logo no primeiro dia útil de 2020.

Feita esta análise, voltemos ao Brasil e ao ano que se inicia. 

Quem esteve na palestra ouviu logo nos primeiros minutos que eu fiz menção a uma questão muito importante para o futuro do Brasil, a aliança (grifei) com os Estados Unidos e com Israel. O primeiro é a mais influente nação política, financeira e militar do planeta e a segunda trata-se da nação mais amada e odiada desde que o mundo é mundo. Fiz um breve comentário dos riscos e oportunidades dessas alianças, cuja tradução poderia ser um pacto.

Ser aliado dos Estados Unidos e principalmente de um presidente como Donald Trump leva o pacato Brasil à condição de partidário de um lado extremo. Vejam apenas como um único exemplo que Trump "ameaçou" Bolsonaro a sanções de taxação de produtos para que ele acompanhasse os embargos econômicos ao Irã. Então vejam o amigo do meu inimigo é também meu inimigo. O Irã é um grande importador do Brasil e esta aliança com os americanos levaria de imediato a um impacto na balança comercial. Recordem-se do episódio do abastecimento do navio iraniano no nordeste brasileiro. Na outra ponta o Irã poderia também elevar as suas taxas para o nosso país. Eis um dos desafios já anunciados.

O segundo "pacto", explícito e declarado abertamente pelo nosso presidente foi com Israel, agora do ponto de vista religioso. Não me restam dúvidas que isso deixará um rastro de ódio nos países inimigos de Israel, dos quais o Irã é o maior e mais violento deles. No funeral do General Qassem foi erguida uma bandeira vermelha sobre a mais importante Mesquita do Irã anunciando vingança de sangue aos inimigos. O inimigo do Irã sempre foi e sempre será Israel, portanto a ameaça é contra Israel e seus amigos, sendo o Brasil um deles.

Sendo assim, não há como imaginar um 2020 sem impactos econômicos e políticos dentro deste cenário para o Brasil.

Na questão econômica, algo que já me chamava a atenção na palestra, agora se torna mais evidente e temeroso, o custo absoluto do petróleo em nossas vidas. Observem de forma prática os gráficos abaixo:

Fonte: https://www.mises.org.br/ 

O gráfico acima mostra uma simples evolução do preço do petróleo em reais na última década. Observem que ele sobe e desce, como se fosse uma dança.


Fonte: https://www.mises.org.br/ 


Já neste segundo gráfico temos a variação do preço em dólar e que para nossa surpresa não há tanta variação como em reais, pelo menos não em escala de V. Fica evidente que se tomarmos como base uma moeda forma, que não apresenta oscilação cambial, o custo do petróleo está subindo e continuamente.

Me parece significar que os custos com o petróleo estão em acensão desde o início da década sem que estejamos fazendo esse cálculo de forma correta. Então quando paramos para pensar que os custos estão no limite, estrangulando nossos lucros, esse pode ser um dos reais motivos. Isso torna a nossa vida mais cara a cada dia.

E agora vem a conclusão para o alerta dado na palestra e citado acima:

Em caso de uma subida do valor do barril do petróleo em escala mundial, os custos que já estão na estratosfera iriam para a mesosfera. Sim, de fato não temos muita familiaridade com esta camada, pois no máximo chegamos à estratosfera.

Neste caso teríamos uma "revolução" em toda a cadeia de fornecimento, custos elevados, clientes sem capacidade de compra, cancelamentos de pedidos, inadimplência, entre outras adversidades econômicas.

Como sugestão, se é que poderia ser dada alguma neste momento, seria revisar os custos e calcular uma margem de segurança na composição garantindo a possibilidade de absorver um aumento de pelo menos 20% na composição. Leve em consideração que uma parte dos custos já foi programada de forma fixa para o ano todo, tais como, salários convencionados, contratos de longo prazo, correções com base em índices dos últimos 12 meses (os mais baixos da história), entre outros. No máximo os custos já contratados sofreriam a pressão em 2021.

Muitas perguntas ainda serão respondidas (se é que serão) ao longo do tempo, pois com certeza o tabuleiro global é muito mais amplo do que possamos imaginar. Abaixo estão algumas destas questões, das quais me atrevi a especular, tanto com relação às motivações que levaram a este incidente, quanto às suas consequências.

Causas:

1. Donald Trump está em "xeque" no Congresso com um processo de impeachment e somente um assunto de proporções globais poderia tirar o foco deste caso.

2. Ainda com relação ao impeachment, além da distração também poderia haver uma questão de sentimentalismo do povo americano ao apoiar uma decisão tão "delicada" do seu presidente, mudando inclusive a sua aprovação.

3. Os EUA, desde seu maior ilustre empresário, John D. Rockfeller tem por obsessão e objetivo o controle do ouro negro. Desestabilizar a região de maior produção e estoques de petróleo tem sido a estratégia utilizada pelos presidentes americanos. Vejam as guerras do Iraque, Kwait, Síria, entre outras.

4. A economia americana está em derrocada e como relata a história, as guerras fazem parte de uma solução de retomada. O conflito armado sempre foi uma forma de gerar mais recursos, seja por produção própria ou usurpação de outras nações, tal como aconteceu no Iraque.

5. A demanda por petróleo, devido à recessão global, tem diminuído em contraste com o aumento da produção, principalmente nos países membros da OPEP. Por outro lado, as novas descobertas dos campos de xisto nos EUA deverão colocar o país como um dos três mais importantes exportadores de petróleo do planeta, superando inclusive Irã, Arábia Saudita, Iraque. Olhando por esta ótica não haveria um mundo melhor se o preço do petróleo subisse em paralelo ao caos nos concorrentes. Lembrando que recentemente tivemos o ataque às bases petrolíferas da Arábia Saudita (supostamente pelo Irã, entenda supostamente) que renderam enormes prejuízos às reservas locais.

6. Possíveis realinhamentos políticos e econômicos em nível mundial. Como explicado na palestra, os próximos anos serão responsáveis por uma nova configuração planetária, configurando uma Nova Ordem Econômica Mundial. Desta nova configuração, possivelmente teremos 10 blocos ou 10 reinos, dos quais um seria liderado pelo Brasil.

7. Os EUA possuem um compromisso global de proteção a Israel e sendo o Irã (antiga nação persa), talvez tenha como jogada estratégica enfraquecer o país mais ameaçador do povo judeu. Uma vez que a Síria e Iraque (barreira natural entre que distancia Irã de Israel) estão em conflito, uma jogada mais firme foi atacar diretamente o alvo.


Consequências:

a. De forma quase que previsível, o preço do petróleo deve ter uma alta, influenciando os custos de produção em escala mundial. Não é apenas o litro de combustível nas bombas que nos impactam, já que tudo é movido a petróleo. Desde o transporte até a indústria farmacêutica, passando por áreas químicas, agronegócios, tecnologia, dependem de energia e matéria-prima, em sua maioria gerada pelo petróleo.

b. Desestabilização mundial econômica colocando as moedas em volatilidade, bolsas em crise, interrupção de investimentos, desempregos, entre outras.

c. Impactos em escalas distantes poderiam ser sentidas de forma imediata. Vejamos apenas como exemplo ilustrativo. O UBER que se tornou uma grande comodidade para as pessoas no mundo inteiro e se consolidou como um enorme gerador de empregos é controlado por um dos fundos financeiros da Arábia Saudita. Uma guerra local poderia inclusive colocar este fundo em alerta para sustentar o conflito, retirando investimentos do aplicativo.

d. O Brasil, por ser um grande produtor de petróleo e com previsões de estar entre os cinco maiores exportadores até 2025, poderia ser beneficiado enquanto os demais exportadores "gastam" o tempo com a guerra.

e. O terrorismo poderia se alastrar pelo mundo, colocando pânico entre as pessoas e insegurança caótica no planeta. Recordar que o Brasil acabou de estimular a Liberdade Econômica através da Lei 13.874/2019, permitindo o ingresso de investidores estrangeiros. Este item tem a sua parte boa e a parte não tão boa assim. Boa no sentido de que os investimentos entrariam no país. Não tão boa porque as dificuldades já existentes para se empreender serão fatiadas com estrangeiros, os quais geralmente chegam capitalizados e com moeda mais forte.

f. Com as alianças descritas acima, o Brasil passaria a fazer parte de um mundo totalmente novo em termos de escalada ao terrorismo. Coincidência ou não, o Ministro Sérgio Moro publicou em 2019 a sinistra Portaria 666 como forma de se preparar para possíveis ataques do tipo.

g. O discurso do ódio (outro slide da palestra) ganharia ainda mais força, pois as questões de crença religiosa entre muçulmanos (Irã) e cristãos/judeus (EUA, Israel e Brasil) se alastrariam por todos os setores da sociedade, dividindo o pouco que resta dessas grandes religiões. Previsões dão conta de que de fato a 3ª Guerra Mundial nasceria de um conflito religioso. Ler Mateus Capítulo 24.

h. Uma nova onda de migração, desta vez intercontinental, poderia se alastrar pelo mundo. A diferença é que agora os países estão abertos e comprometidos para o recebimento de refugiados. Observar os discursos do Papa Bento XVI e mais recentemente do Papa Francisco sobre o acolhimento aos refugiados. Leia na íntegra a Encíclica Papal Laudato Si. A Rainha da Inglaterra em seu discurso pré Brexit leu as normas que conduzirão o país após a saída da União Europeia, incluindo um tópico exclusivo sobre migração. Donald Trump fechando as fronteiras com México. Diante de todas estas condições o Brasil poderia receber um contingente gigantesco de refugiados de guerra. A novela da Globo "Órfãos da Terra" tratou do tema com realismo, quase que prevendo os acontecimentos.

i. Uma guerra no momento poderia implodir a dívida americana de uma vez por todas. Conforme mostrado na palestra, o montante já ultrapassa 23 trilhões de dólares. Para o financiamento de uma guerra obrigaria a América a captação, que por ironia do destino viria da China, seu maior credor e inimigo comercial. Isso colocaria ainda mais os americanos na dependência do dragão. Já não chega o seu parque fabril estar todo no território chinês, em breve a dívida será o maior trunfo dos chineses. Talvez um xeque mate natural. Isso colocaria a economia em colapso e uma mudança de padrão mundial, tanto nas questões de liberdade econômica, quanto nas questões culturais, religiosas e políticas. Haveria uma inversão do atual padrão dominante do capitalismo ocidental para o comunismo chinês, influenciando o mundo todo.

A lista pode ir longe, por enquanto são estas as principais que me vieram à mente.

O assunto é longo, complexo e envolve milhares de teias conexas. Enquanto estivermos vendo e ouvindo estas notícias sinal que ainda são rumores. Quando não ouvirmos mais certamente será o fim, que está descrito nas escrituras.

E por fim, a conclusão de fé: "Se atravessarmos as correntezas desta chuva de início de ano certamente estaremos do outro lado da margem com muito mais força!" Vamos resistir e ficar atentos ao nosso Patrimônio Líquido pois enquanto ele estiver positivo e protegido estaremos fortes. 

Vamos acompanhando e em caso de novas informações retornaremos para atualizar aos que estão atentos.

Muito obrigado pela atenção e que acima de tudo o Deus Criador abençoe a sua vida e os seus negócios!

Gilberto Schneider


* A sigla EN classifica a matéria como sendo Economia e Negócios.

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Um comentário:

  1. https://oglobo.globo.com/mundo/ira-pede-explicacoes-ao-brasil-sobre-nota-de-apoio-aos-estados-unidos-24174434

    Brasil declara apoio aos EUA (como era esperado) e Irã pede explicações.

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