Consultoria Empresarial

sábado, 25 de junho de 2011

"OS NORMAIS" - SÃO ESTRANHOS

Luis Fernando Guimarães e Fernanda Torres ficariam surpresos com este título, já que ser normal é um lema para o casal mais engraçado da atualidade.
O filme é ótimo e vale a pena assistir. Talvez o conceito de “normal” passe a ser mais bem compreendido após uma sessão de risos com a dupla.
Embora o filme seja uma recomendação, minha intenção aqui é refletir um pouco do que é ser normal nos dias atuais. Na tarde de ontem, decidi tomar um café na padaria mais próxima, com o objetivo de dar uma pausa na correria para encarar o turno da noite. Normalmente uma sexta-feira já causa um pouco de ansiedade nas pessoas, pois o que se espera é curtir o final de semana em uma boa sombra e com muita água fresca.
Durante o café, sempre fico em silêncio, em busca da reflexão, oferecendo um descanso merecido para o cérebro. Tal silêncio foi abruptamente interrompido por uma das balconistas, chamando de forma eufórica a atenção de sua colega de trabalho. Foi logo contando que uma freguesa voltou apressada e nervosa com suas compras, alegando que a conta estava errada e que a conta deveria ser refeita. Como o meu cérebro estava em “stand by” não dei muita importância, pois atrás do balcão é comum se reclamar de clientes exigentes, apesar de ser ele (o cliente) a única razão pelo balcão e tudo o que está em seu entorno existir. Logo meu senso de observação que me é peculiar se ligou e ouvi a balconista dizer de forma inconformada: “....ela (a cliente) exigiu que se passassem todos os produtos novamente para conferir o valor, pois não concordava com o valor de R$ 3,00...o certo era R$ 30,00...honestidade rara de ver neste mundo de hoje...”.
Nem preciso dizer que a sua colega e outras que se juntaram ao grupo também se admiraram. O cliente que volta ao estabelecimento para avisar que a conta de R$ 3,00 deveria ser R$ 30,00 é considerado um “ser estranho” em sua comunidade. Sem ter que raciocinar muito, acredito que o cliente que sai do estabelecimento sem avisar (e achando que levou vantagem) é o “normal”. Se você também não concorda, infelizmente preciso avisá-lo que você pode ser considerado como anormal perante a sociedade, a mesma que clama por paz, igualdade, justiça e bondade. Triste este relato, caso ele terminasse aqui. Tornar-se-á trágico com o final. Durante o reflexivo diálogo entre as moças, percebi que alguns papéis caíram no chão. Não tomei a iniciativa de pegá-los por dois motivos: primeiro) eram muitos os clientes que entravam, acreditei que alguém teria esta ideia; segundo) para fazer isso deveria terminar o café para não sujar as mãos. Não sei se você está prevendo o final da história, mas é isso mesmo. Várias pessoas pisavam nos papéis, desviavam-se ou mesmo passavam alheios ao fato. Bem, terminado o meu café, me abaixei (estava de terno, gravata) e coletei o lixo, colocando-os no cesto. Ao me levantar tive a sensação que eu tinha cometido um crime. A primeira reação, diante dos olhares foi de vergonha, pois todos ficaram me olhando. Claro que eu deveria acreditar que eles se admiraram pelo meu bom exemplo, mas depois da história da balconista, fiquei em dúvida se não estavam me considerando um estranho, já que não se pode considerar como “normal” alguém que pega o lixo do chão. Queridos, o filme, ainda que de forma hilária, retrata este conflito de valores na sociedade de hoje. Ser “normal” ficou careta. Os valores se inverteram...traição é normal, fidelidade não; mentir é normal, falar a verdade não; ser corrupto é normal, ser honesto não. A preocupação maior é com a geração que vem por aí, pois do jeito em que caminha a humanidade seremos vítimas da própria armadilha. Clamaremos por justiça para a maioria injusta...por honestidade para a maioria desonesta...é a colheita da plantação, infelizmente. Espero que isto não tenha acontecido e que meu cérebro tenha realmente entrado em “transe” naquela padaria. Da minha parte continuarei tentando ser “normal”. Abraços a todos os meus amigos “normais” e assistam ao filme, vale à pena.
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